quinta-feira, 14 de junho de 2012

CARTA DE UM JUIZ DE DIREITO AO ZIRALDO E AO JAGUAR


CARTA DE UM JUIZ DE DIREITO AO ZIRALDO E AO JAGUAR
 "A personalidade pode abrir portas, mas somente o caráter consegue
mantê-las abertas."

  Um testemunho coerente e lúcido deste Juiz ...
  Está chegando a hora de abrirmos os olhos......

O Juiz de Espumoso (RS) escreve a Ziraldo e Jaguar, comentando a
aprovação da indenização e da aposentadoria em dobro paga pela Nação
aos humoristas, que 'sofreram muito' por terem sido presos durante uma
semana na época da ditadura militar brasileira, como represália pelas
críticas que eles mesmos publicaram em 'O PASQUIM', na ocasião.



Prezados Ziraldo e Jaguar:

Eu fui fã número 1 do PASQUIM (em seguida saberão por quê). Por isto
me sinto traído pela atitude de vocês (Ziraldo e Jaguar). Vocês,
recebendo essa indenização milionária, fizeram exatamente aquilo que
criticavam na época: o enriquecimento fácil e sem causa emergente e a
estrutura ditatorial.

Na verdade, vocês se projetaram com a Ditadura. Vocês se sustiveram
da Ditadura.
Vocês se divertiram com a Ditadura.

Está bem, vocês sofreram com a Ditadura, mas, exceto aquela semana na
cadeia - que parece não foi tão sofrida assim - nada que uma
entrevista regada a uísque e gargalhadas na semana seguinte não
pudesse reparar.

A cada investida da Ditadura vocês se fortaleciam e a tiragem seguinte
do jornal aumentava consideravelmente.

Receber um milhão de reais e picos por causa daquela semana,
convenhamos, é um exagero, principalmente quando se considera que o
salário mínimo no Brasil é de R$ 545,00 por mês...

Vocês não podem argumentar que a Ditadura acabou com o jornal.
Seria a mais pura mentira, se é que a mentira pode ser pura. O

'O Pasquim' acabou porque vocês se perderam.
O Pasquim acabou nos estertores da Ditadura porque vocês ficaram sem o
motor principal de seu sucesso, a própria Ditadura.Vocês se encantaram
com a nova ordem e com a possibilidade de a Esquerda dominar este país
que não souberam mais fazer humor. Tanto que mais tarde voltaram de
Bundas - há não muitos anos - e de bunda caíram porque foram
pernósticos e pedantes.Vocês só sabiam fazer uma coisa: criticar a
Ditadura e não seriam o que são sem ela.

Eu vi o nº 1 de 'O Pasquim' num tempo em que não tinha dinheiro para
adquiri-lo.
Mais tarde, estudante em Florianópolis, passei a comprá-lo toda semana
na rua Felipe Schmidt, próximo à rua 7 de Setembro, numa banca em que
um rapaz chamado, se não me engano Vilmar, reservava um exemplar para
mim. Eu pagava no fim do mês.

Formado em Direito, em 1976 fui para Taió. Lá assinei o jornal que não
chegava na papelaria do meu amigo Horst.. Em 1981 vim para o Rio Grande
do Sul e morando, inicialmente, em Iraí, continuei assinante.

Em fins de 1982 fui promovido para Espumoso e sempre assinante. Eu
tenho o nº 500 de O Pasquim, aquele que foi apreendido nas bancas e
que os assinantes receberam... Nessa época, não sei se lembram, o
jornal reduziu drasticamente seu número de folhas. Era a crise. Era um
arremedo do que fora, mas ainda assim conservava alguma verve. A
Ditadura estava saindo pelas portas dos fundos e vocês pelas portas da
frente, famosos e aplaudidos.Vocês lançaram uma campanha de
assinaturas. Eu fui a campo e consegui cinco ou seis. Em Espumoso!
Imaginei que se cada assinante conseguisse cinco assinaturas, ajudaria
muito. Eu era Juiz de Direito.

Convenhamos: não fica bem a um Juiz sair vendendo assinatura de
jornal. Mas fiz isto com o único interesse de ajudar o Pasquim a se
manter. Na verdade, as assinaturas foram vendidas a amigos advogados
aos quais explanei a origem, natureza e linha editorial do jornal. Uns
cinco ou seis adquiriram assinaturas anuais. No máximo dois meses
depois todos paramos de receber o jornal, que saiu de circulação.

O Pasquim deu o calote.... Eu fiquei com cara de tacho e, como se diz
por aqui, mais vexado que guri cagado. Sofri constrangimento por causa
de vocês.

Devo pedir indenização por isto? Não. Esqueçam!

Mas agora que vocês estão milionários, procurem nos seus registros e
devolvam o dinheiro dos assinantes de Espumoso que pagaram e não
receberam a assinatura integral. Naquele tempo vocês não tinham como
fazê-lo. Agora têm.
Paguem proporcionalmente, mas com juros e correção monetária, como manda a
lei.
Caso contrário, além de traidores, serei obrigado a considerá-los
também caloteiros.

Ilton Dellandrea
Juiz de Direito




Além da indenização milionária a dupla passa a colaborar com o déficit
da previdência, pois, como o Lula, passam a receber aposentadoria em
dobro do limite estabelecido para quem contribuiu por 35 anos!

Além do mais, os que contribuíram por 35 anos não têm direito ao
reajuste integral da aposentadoria. Por isto que o nosso pais é
considerado o pais dos marginais, pode ver quem trabalha honestamente
não tem nada, já os marginais tem direitos humanos, salários acima do
mínimo para presidiário, cargos de ministros, presidente ou diretores
de estatais, e assim por diante, fora a aposentadoria de marajá, e
depois dizem que é da esquerda, só se for a mão, o que a esquerda faz
a direita não pode ver.

Este episódio das indenizações milionárias aos jornalistas do Pasquim
é só mais um da série de escândalos em cascata que o país produz.
Parece que está em nosso DNA o ataque despudorado aos cofres públicos,
a concepção que o dinheiro público não é de todos, mas 'de ninguém', e
que 'aos amigos tudo, aos inimigos, a justiça.

ACRESCENTO: Tudo limpinho, sem pagar Imposto de Renda !!!!

É e a vida continua e nós, bem nós, só nos resta sobreviver ...

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