(Merval Pereira,
O Globo de
24/08/2012)
Mesmo que formalmente
tenha limitado seu voto aos réus acusados de “desvio do dinheiro público”, item
inicial do relatório do Ministro Joaquim Barbosa, o revisor Ricardo Lewandowski
manteve seu esquema mental de separar os fatos, como se estes não tivessem
conexão entre si.
Essa era sua intenção quando
anunciou que leria o voto réu por réu, por ordem alfabética, negando assim
liminarmente a tese da acusação de que os crimes eram conectados entre si e
foram praticados por uma quadrilha que obedecia a um comando central e
tinha objetivos políticos.
Só assim poderia, no
mesmo voto, condenar o diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato
e absolver o então presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha,
acusados dos mesmos crimes...
Sintomaticamente, o
ministro Lewandowski deixou passar, sem nenhuma tentativa de explicação, os R$
50 mil que a mulher de Cunha apanhou na boca do caixa do Banco Rural em
Brasília...
Embora não tenha tido a
coragem de assumir a tese do caixa dois eleitoral, implicitamente Lewandowski
a admitiu como explicação razoável para o fato de um publicitário ter dado
dinheiro vivo ao presidente da Câmara, a pedido do então tesoureiro do PT,
Delúbio Soares, verba supostamente gasta em pesquisas eleitorais.
É espantoso que um ministro do STF, que já presidiu o Tribunal
Superior Eleitoral, trate com tanta ligeireza a corrupção eleitoral e seja
incapaz de ligar dois mais dois.
Lewandowski em seu
voto dá impressão de que é normal, uma simples coincidência, o fato de que o
mesmo empresário, Marcos Valério, esteja nas pontas dos dois casos relatados, e
um não tenha nada com o outro, embora tenham como centro o Partido dos Trabalhadores (PT).
Ora, se o próprio
Lewandowski admitiu que Valério subornou o diretor do Banco do Brasil para
desviar dinheiro público, como não ligar esse dinheiro desviado às verbas
que Delúbio Soares passou a distribuir através das agências de publicidade de
Valério, todas de uma maneira ou de outra contratadas por órgãos federais? Ainda
mais havendo o antecedente de esquema semelhante adotado anteriormente na
campanha eleitoral em Minas.
A atitude de
Lewandowski, ontem, exigindo o direito à tréplica diante da decisão do relator
de esclarecer os pontos falhos apontados pelo seu voto de revisão, traz de volta
à cena pública sua deliberação de retardar o processo de
votação, atendendo ao interesse dos réus, especialmente os
petistas.
Não tem sentido que o
Supremo fique paralisado, enquanto o revisor assume uma posição de
protagonista do processo, quando sua função é acessória, não
principal.
O
presidente Ayres Britto deixou bastante claro que o papel de orientador do
processo é do relator, Joaquim Barbosa, que por isso tem direito de dar suas
explicações antes que os demais ministros comecem a votar, na
segunda-feira.
A mudança de critério de um
dia para o outro é menos surpreendente do que seu voto inicial, que condenou
Pizzolato, Valério e seus sócios, pois recoloca Lewandowski no caminho
que ele mesmo traçou para si desde o início do julgamento: ser um contraponto ao voto do Relator, que ele identifica como uma
continuação do voto do Procurador-Geral da República.
Os comentários de que
estaria agindo com firmeza contra a corrupção no Banco do Brasil para
legitimar a absolvição que já tinha preparado para os integrantes do núcleo
político do mensalão, especialmente o ex-ministro José Dirceu, confirmaram-se
ontem, pois, com seu voto, o revisor já deixou pistas de que não considerará
criminosos os saques na boca do caixa do Banco Rural por parte de políticos da
base do governo. . .
Embora tenha se
esforçado para demonstrar que estudou detalhadamente o processo, e tenha
procurado afirmar que baseou seu voto “na realidade dos autos”, Lewandowski
passou por cima de detalhes cruciais, como, por exemplo, o fato de que os saques
no Rural eram escamoteados pela agência SMP&B como “pagamento de
fornecedores”.
E também que a
primeira reação de Cunha foi mentir quanto à ida de sua mulher ao banco,
alegando que fora pagar uma fatura de TV a cabo. Sabia, portanto, da origem
ilegal do dinheiro.
O caráter pessoal da
contratação da agência IFT está demonstrado por reuniões, fora da Câmara, para
organizar ações de campanhas eleitorais do PT, com a presença de
Cunha.
O voto de ontem
confirma as
piores expectativas com relação ao trabalho do revisor do processo.
______________________________ ___________
" Quem
ainda duvida que tudo acabará em
'PIZZA' ? , apesar dos esforços moralizadores
do Proc.Geral, do Min. Relator (e outros).
É DE CHORAR ! POBRE BRASIL !
ACORDEM, PATRIOTAS!
As eleições estão aí !
Nossa
ARMA é o VOTO !!!!! "

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