Discurso de um Super Presidente?
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
O
Super Barbosa volta a provocar faniquitos na petralhada. Não porque o
presidente do STF tenha advertido que os embargos de declaração não
podem reverter as condenações no Mensalão. O medinho dos petralhas é que
a versão pós-moderna e mais light do “Homem da Capa Preta”, sem a
metralhadora Lurdinha a tiracolo, acabe saindo candidato a Presidente da
República contra Dilma Rousseff.
Barbosa
já cansou de avisar que não tem pretensões políticas. Mas a petralhada,
sempre a beira de um ataque de nervos com ele, teme que tal aviso seja
uma mera pretensão. O pavor petralha aumentou ainda mais ontem, depois
do discurso anti-político e anti-corrupção do Super Barbosa, em um
congresso da Unesco sobre liberdade de imprensa, em São José, na Costa
Rica.
Inegavelmente,
mesmo que não tenha tal intenção, o discurso de Joaquim Barbosa é o de
um super-candidato a Presidente. Só um outro herói em nosso imaginário
popular, o Coronel Nascimento (em Tropa de Elite II), conseguiria tocar
em assuntos que a maioria da opinião pública deseja escutar e aplaudir.
O
Super Barbosa criticou o tratamento privilegiado que a Justiça dá aos
políticos corruptos. Também reclamou do excesso de recursos judiciais
para quem desrespeita a lei. Condenou a falta de transparência no
processo judicial brasileiro. E constatou que o Brasil é um País que
pune muito os pobres, os negros e pessoas sem conexões. Foi uma retórica
justa e perfeita para um candidato a lutar contra a petralhada na
eleição de 2014.
O jornal O Globo pinçou
algumas das contundentes pregações do Super Barbosa. A maioria delas
faz parte do senso comum daquilo que o cidadão-eleitor-contribuinte
deseja ouvir. Vale repeti-las aqui para uma análise posterior: Abramos
aspas para o Super Barbosa:
“O
Brasil, como a maior parte da América Latina, tem problemas culturais
para resolver que impactam no Judiciário. Por exemplo, a concepção
equivocada de igualdade. As pessoas são tratadas de forma diferente de
acordo com seu status, sua cor de pele e o dinheiro que têm. Tudo isso
tem um papel enorme no sistema judicial e, especialmente, na impunidade”.
“Um
dos principais problemas que vejo no Brasil é a falta de transparência
no processo judicial, algo anti ético e forte que existe em todo o
sistema. Uma pessoa poderosa pode contratar um advogado poderoso, com
conexões no Judiciário. Ele pode ter contatos com juízes sem nenhum
controle do Ministério Público ou da sociedade. Depois vêm as decisões
surpreendentes: uma pessoa acusada de cometer um crime é deixada em
liberdade. E não é deixada em liberdade por argumentos legais, mais por
essa falta de transparência das comunicações”.
“Há
uma razão para explicar a impunidade no nosso país. No Brasil, tem algo
chamado foro privilegiado. Se um prefeito é acusado de um crime, ele
não terá o caso dele julgado por um juiz comum. O caso dele será
decidido por um tribunal de apelação. Se o acusado é um membro do
Congresso, o caso será decidido pela Suprema Corte, que tem 60 mil casos
aguardando julgamento, casos que afetam a sociedade, e não tem tempo
algum para decidir processos criminais. Um caso envolvendo duas ou três
pessoas não é concluído no Brasil em menos de cinco, sete, às vezes dez
anos, dependendo do status social da pessoa”.
Barbosa
apenas disse o que a maioria anti-petralha deseja ouvir. Daí cabe a
pergunta de sempre: Barbosa faz tal discurso sem nenhuma segunda
intenção política? Claro que não! Sua mensagem tem endereço certo: a
petralhada e seus comparsas no Governo do Crime Organizado.
Eles
já estão condenados à substituição pelo Poder Real Mundial que manda no
Brasil. Já foram descartados e fingem não saber que, em breve, farão
parte do lixo da história. Logicamente, no atual sistema, a lógica é que
os petralhas sejam substituídos por marionetes mais lights – que
pareçam ser menos incompetentes e menos corruptos.
Então,
diante de tal constatação, façamos outra perguntinha: O super discurso
do Barbosa é para forjá-lo como potencial candidato a Presidente da
República, fortalecendo a imagem pública de coragem, honestidade e
determinação no combate às coisas erradas, principalmente a corrupção?
Nesse caso, a resposta é mais mineira que o Barbosa: pode ser que sim e
pode ser que não...
Não
resta dúvidas de que o discurso político para 2014 seguirá a linha de
combate às injustiças e aos privilégios – fatores que geram impunidade e
ajudam a “justificar”, no imaginário popular, as desigualdades.
A
retórica da campanha de 2014 também terá de garantir a manutenção de
uma estabilidade econômica (praticamente perdida), junto com a promessa
de mais oportunidades de consumo e alavancagem social das classes
economicamente mais baixas, como ocorreu na gestão Lula-Dilma.
Voltando
a responder a perguntinha anterior: Barbosa não faz campanha para si
mesmo. Barbosa parece o “super-herói” especialmente escalado para fazer
metade do discurso político necessário para derrotar o PT. A outra
metade, a promessa econômica, não cabe ao Super Barbosa – pelo menos
neste primeiro momento.
Se
Barbosa começar a falar de economia, pode escrever: ele é candidato. Do
contrário, Barbosa fará apenas como o João da Bíblia. Não é ele a luz,
mas vem para dar testemunho da luz, iluminar o caminho e, como ele já
fez até agora, mandar uns petralhas para o simbólico buraco preto das
trevas.
Em
política, no entanto, tudo é possível. Em tese, Barbosa cai no gosto
popular para ser candidato – se quiser realmente ser, o que sempre fez
questão de negar. O problema é que, no atual sistema, Barbosa não teria
condições políticas de ser candidato. Exatamente porque ele hoje
representa, simbolicamente, a antítese da classe política – tida como
“corrupta” no imaginário do eleitor.
Não
resta dúvida: o discurso de Barbosa é o de um Super Presidente – nem
que seja do Supremo Tribunal Federal, que ficou bem na fita com a
condenação dos mensaleiros – mesmo que, até agora, ninguém tenha ido
para a cadeia (ou acabe nem indo...). Mas entre o discurso e a
viabilidade política de uma candidatura, nas condições atuais, a
distância é de um milhão de léguas mineiras...
Uma
outra coisa é muito certa: o comportamento institucional do STF, na
fase pós-mensalão, será decisivo para a definição dos rumos políticos.
Se o Supremo, por um imperdoável equívoco, desandar com decisões para o
lado do governismo corrupto, o pirão de nossa república imperial tende a
desandar...
Se
tal desastre ocorrer, torna-se enorme o risco de um vácuo
institucional. Sendo assim, a pergunta é: quem tem hoje mais condições
de ocupar um vazio de poder que for aberto pela falência múltipla dos
três poderes? A farda? A toga? O terno? Quem?
O detentor da resposta mais correta ganha, inteiramente grátis, o direito a sentar na janela do ônibus...
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
O
Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente,
analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e
estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade
objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Maio de 2013.
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