A FACE OCULTA DO PT
Diz um adágio popular que onde há fumaça há fogo. Às vezes é apenas o “diz que diz”; noutras, a notícia é verdadeira, porém é abafada ou anunciada conforme a conveniência do veículo de informação. Ainda assim, sem darmos conta do que realmente ocorre, somos bombardeados diariamente por denúncias que envolvem a corrupção, ou das nefastas intenções de um governo.
No plano individual, a surpresa surge quando sabemos de algum conhecido – ou, de quem menos se espera – que virou manchete nas páginas policiais, ou, que o Ministério Público esteja correndo atrás, para ressarcir o que foi desviado. É o saque sistemático do Estado, que parece não ter fim.
A situação é muitíssimo mais grave quando se fala de um partido político, principalmente se está na condição de mando do país. No Brasil estamos vivendo essa situação, o que é motivo de grande preocupação. O partido que se anunciava como o paladino da moralidade; que falava em democracia; ética; liberdade de expressão; respeito aos poderes constituídos; enfim, que anunciava ter o monopólio da dignidade, enganou muita gente.
Hoje, altos dirigentes de suas fileiras, depois de condenados, estão a caminho do xilindró, após serem denunciados pelo Ministério Público por formação de sofisticada organização criminosa. Estamos falando do PT, que mudou o seu discurso da água para o vinho.
Bem antes de assumir o poder, o PT – que praticava a teoria de quanto pior é melhor - exibia as suas garras quando lutou com unhas e dentes contra o Plano Real (1994) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), iniciativas corajosas que derrubaram a inflação galopante - fundamental para o crescimento econÃ?mico - e tirou da situação de miséria milhões de brasileiros. Não fossem essas conquistas, estaríamos vivendo algo parecido com o que ocorre na Somália, o país mais miserável do continente africano. Ainda que a atitude do PT tenha sido deplorável, a face oculta do partido, a que mais preocupa, ainda estava para ser revelada.
Democracia, como sabemos, significa o direito de ir e vir; da pluralidade de partidos; da Justiça a pleno direito, e de falar o que se pensa. Pois bem, o PT, depois de jogar pela janela a bandeira que dizia defender, vem exibindo, aos poucos, a sua verdadeira vocação.
As reiteradas declarações de apoio a governos ditatoriais como os de Cuba e da dinastia comunista da Coréia do Norte, são sintomas que não devem ser desprezados.
Esses governos falam em nome do povo, mas não têm eleições livres há décadas. O regime é de partido único, com os meios de comunicação, inclusive a internet, rigorosamente controlados. A liberdade, a justiça e a vida nesses países nada representam. Para o PT, nada disso conta. Os povos de lá que se lixem.
Como a história se repete, não custa lembrar os regimes nazista e stalinista, de triste memória, que também se diziam representantes da classe trabalhadora e do povo. Assim que assumiram o poder passaram a controlar a imprensa e a Justiça e, em pouco tempo, se transformaram em ditaduras.
Como é possível perceber, o viés autoritário do PT está à flor da pele, que só não se materializou porque a sociedade civil organizada brasileira ainda não foi vencida. Por enquanto.
Porém, esforços nesse sentido não faltam. O presidente nacional do PT, Sr. Rui Falcão, que se elegeu exatamente porque representa o pensamento da maioria de seus pares, tem posições de deixar o cidadão de cabelo em pé.
Ele fala abertamente no controle social e regulamentação da mídia, eufemismo para a mordaça da TV, rádio, jornais, revistas e internet, considerados um estorvo. Recentemente apoiou a votação da CCJ da Câmara Federal, de iniciativa de um deputado do seu partido que, a toque-de-caixa, propÃ?s que as decisões do Supremo Tribunal Federal - o guardião da Constituição - devem ser submetidas à vontade daquela casa onde a inchada coligação lhes dá a maioria parlamentar. O mensalão ajudou nesse sentido, diz o Ministério Público.
Segundo o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa - homem corajoso, e esperança nacional – o Congresso é dominado pelo Executivo. Falta só o Judiciário, o último reduto na defesa do inocente cidadão. Figuras expoentes do PT, é claro, não perdem uma oportunidade para descer o porrete e ridicularizar o ilustre cidadão.
A sanha autoritária dessa legenda parece estar no seu DNA. A questão do veto à criação de novos partidos é outro casuísmo descarado, preocupados que estão com o projeto de perpetuar-se no poder. Marina Silva - cuja candidatura pode atrapalhar a sigla - que o diga.
Muitos fundadores do PT, que acreditavam nos ideais da nova legenda, se deram conta de como foram enganados. Os radicais estão avançando e a emenda saiu pior que o soneto. São ideólogos, artistas, intelectuais, sociólogos e juristas que deixaram o partido, temerosos do que vem por aí. Frei Beto, Francisco Whitaker, Hélio Bicudo, Marina Silva, Heloisa Helena, Cristovam Buarque, Senador Flávio Arns, Fernando Gabeira, Roberto Freire, formadores de opinião, entre milhares de outros, falam que, se os meios de comunicação e o Supremo forem levados de roldão, a democracia corre sério perigo. Eles se arrependeram do quadro que ajudaram a criar, e estão convictos de que estamos bem próximos de um beco sem saída, mas que ainda resta um fio de esperança: o cidadão consciente.
É verdade que não há bem que sempre dure, mas para a nossa sorte, não há mal que nunca se acabe. Em 2014 teremos eleições. Só depende de você, caro(a) eleitor(a).
Roberto de Moraes
Nenhum comentário:
Postar um comentário