Médica de Niterói se rebela e
rasga o verbo:
CARTA
ABERTA AO GOV. DO RJ.
UMA MÉDICA DE CORAGEM E CONVICÇÃO
Carta da Dra. DRA. MARIA ISABEL LEPSCH ao Governador do RIO DE JANEIRO, SERGIO CABRAL.
LEIA E DIVULGUE
Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em
mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo. Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho; tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual. Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue. Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul... Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado. Ao final do curso, nova seleção, agora, para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo... Sempre fui doutrinada a fazer o máximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor.
UMA MÉDICA DE CORAGEM E CONVICÇÃO
Carta da Dra. DRA. MARIA ISABEL LEPSCH ao Governador do RIO DE JANEIRO, SERGIO CABRAL.
LEIA E DIVULGUE
Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em
mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo. Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho; tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual. Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue. Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul... Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado. Ao final do curso, nova seleção, agora, para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo... Sempre fui doutrinada a fazer o máximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor.
No início
da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médica
da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro'. A melhor
decisão da minha vida, da qual hoje mais do que nunca não me
arrependo, foi abandonar
este cargo.
Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou
justiceiro. Dói assistir a morte por falta de recursos. Dói,
como mãe de quatro filhos, ver outros filhos de outras mães não
serem salvos por falta de condições de trabalho. Fingir que
trabalha, fingir que é médico, estar cara-a-cara com o paciente
como representante de um sistema de saúde ridículo, ter a
possibilidade de se contaminar e se acostumar com
uma pseudo-medicina é doloroso, aviltante e uma enorme
frustração. Aprendi em muitas daquelas noites
insones tudo o que sei fazer e gosto muito do que eu faço.
Sou médica
porque gosto. Sou pediatra por opção e com convicção. Não me
arrependo. Prometi a mim
mesma fazer
o melhor de mim.
É um
deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o
nosso, assistir políticos como o senhor discursarem com a cara
mais lavada que este é o momento de deixar de
lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador ?
lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador ?
Nas UPAS?
tudo de fachada para engabelar o povão!!!!
Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico?
Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico?
Os
médicos não
criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com
problema somente agora. Não faltam especialistas. O que falta é
quem queira se sujeitar a triste realidade do médico da
SES para tentar resolver emergencialmente a
omissão de
anos.
A mídia
planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm
a
qualquer
sintoma inespecífico para as urgências... Não há
pediatra neste momento que não esteja
sobrecarregado. Mesmo na medicina privada há uma
grande dificuldade em administrar uma demanda absurda de
atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones.
Todos
em pânico. E aí vem o senhor com a história do
lenga-lenga. Acorde governador! Hoje o senhor é poder
executivo. Esqueça um pouco das fotos com o presidente e com a
mãe do PAC,
esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão. Faça a mudança. Execute. "Lenga-lenga" é não mudar os hospitais e os salários. Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo. A responsabilidade é sua, governador. Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador ?
esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão. Faça a mudança. Execute. "Lenga-lenga" é não mudar os hospitais e os salários. Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo. A responsabilidade é sua, governador. Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador ?
Dra. Ma. Isabel Lepsch
ICARAÍ Rua Miguel de Frias 51 sala 303 Tel: 2704-4104/9986- 2514
NITERÓI Av. Amaral Peixoto 60 sala 316
Tel:2613-2248/2704- 410 4/9982-
8995
SÃO GONÇALO Rua Dr. Francisco Portela 2385 Parada 40 Tel: 2605-0193/3713-0879
Através da Divulgação é que podemos tentar ajudar a diminuir a DESASISTÊNCIA TOTAL DO GOVERNO AOS HOSPITAIS PÚBLICOS DO BRASIL
'O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons".
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Martin Luther
King

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