Asteroide vai passar de raspão pela Terra em
fevereiro
Rocha espacial de 50 metros de diâmetro chegará a apenas 22 mil km do
planeta,
menor aproximação já registrada na astronomia moderna
Cesar Baima
31/01/13 - 07h00
Ilustração mostra um asteroide em rota da Terra: não
há perigo de colisão - imediata ou no futuro próximo
RIO - Descoberto por um astrônomo amador
em fevereiro do ano passado, o asteroide 2012 DA14 por pouco não vai atingir a
Terra no mês que vem. No próximo dia 15 de fevereiro, esta rocha espacial de
cerca de 50 metros de diâmetro vai passar a apenas 22 mil quilômetros da
superfície do planeta, menos de um décimo da distância da Lua, e dentro da
região da órbita onde estão localizados os satélites geoestacionários de
telecomunicações e meteorologia. Segundo os astrônomos, o asteroide não
apresenta risco de colisão imediato nem no futuro próximo, mas sua passagem será
acompanhada com grande interesse por apresentar uma oportunidade única para
estudar este tipo de objeto, refinar os modelos usados para sua detecção e
calcular a dinâmica de sua interação gravitacional com a Terra. "Estamos
bastante animados com a possibilidade de observar o asteroide com
telescópios", conta Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação
Planetário do Rio. "Ele vai passar a uma distância que é ridiculamente
pequena em termos astronômicos e recorde na astronomia moderna".
Impacto provocaria devastação
local
Segundo Cherman, o fato de o 2012 DA14
ter sido detectado há um ano e sua órbita já ter sido calculada com tamanha
precisão é uma mostra da evolução de nossa capacidade de rastrear este tipo de
objeto, mesmo os menores deles. Apesar do tamanho reduzido, caso estivesse em
rota de colisão com o planeta, o asteroide poderia causar estragos
consideráveis, que dependeriam de sua composição, velocidade, ângulo e local de
impacto. Em 1908, um objeto de dimensões semelhantes teria explodido no céu
sobre a desabitada região de Tunguska, na Sibéria, com uma força estimada em 2,5
megatons, o equivalente a uma bomba termonuclear de médio porte, derrubando ou
destruindo 80 milhões de árvores em uma área de aproximadamente 2 mil
quilômetros quadrados. Não seria um evento global como o do asteroide que, se
acredita, exterminou os dinossauros. Este tinha entre três e oito quilômetros de
diâmetro e liberou a energia de milhares de bombas nucleares. Mas seria mais do
que suficiente para devastar uma grande cidade, deixando um rastro de milhões de
mortos. "Um objeto deste tamanho atinge a Terra uma vez a cada 100 ou 120
anos, então estatisticamente já estamos passando da hora", lembra
Cherman. "Mas, como 75% da superfície da Terra são de água, o mais provável
é que ele caísse sobre um oceano. E mesmo que atingisse o solo, seria uma
explosão considerável, mas com uma devastação muito localizada".
Segundo o astrônomo do Planetário, será
difícil observar a passagem do asteroide no céu do Rio devido a sua trajetória.
Apesar de os cálculos indicarem que ele vai chegar a uma magnitude entre 7 e 8,
brilhante o bastante para ser visto com um binóculo, o horário da aproximação
máxima (17h30) e sua rota, entrando na sombra do planeta, vão escondê-lo dos
olhos dos cariocas. O 2012 DA14, porém, deverá voltar a se aproximar em 2020,
quando novamente passará a uma distância inferior à da Lua e sem risco de
colisão.
Estratégias de
sobrevivência
Caso o 2012 DA14 estivesse em rota de
colisão com a Terra, o conhecimento prévio de sua existência e trajetória
permitiriam à Humanidade tomar medidas para evitar seus estragos. E para isso
não precisaríamos chamar o Bruce Willis. Segundo o astrônomo Alexandre Cherman,
por ser relativamente pequeno, o asteroide poderia ser destruído ainda no espaço
por um míssil nuclear comum. "É só calcular posição e rota exatas e mandar
bomba. Isso daria conta do recado", afirmou Cherman.
O mesmo, no entanto, não poderia ser
feito com objetos maiores, como o Apophis, uma rocha de cerca de 270 metros de
diâmetro que deverá chegar a menos de 36 mil quilômetros do planeta em 2029, e
muito menos com um eventual gigante como o que exterminou os dinossauros, que
estimavas apontam colidir com o planeta a cada 100 milhões de anos. Isso porque
o míssil poderia simplesmente parti-los em vários asteroides menores, mas ainda
com tamanho suficiente para causar grandes estragos, efetivamente transformando
uma ameaça em muitas. "Caso soubéssemos, com antecedência, o melhor, neste
caso, seria provocar algum pequeno desvio na sua trajetória de forma que ele
'errasse' o planeta. Bastaria muito pouco para tirá-lo da rota de colisão, e,
depois, era só deixar a gravidade atuar", conta Cherman.
E são muitas as opções em estudo para
desviar o asteroide. A primeira, que deverá ser testada pela Agência Espacial
Europeia (ESA) em 2020, prevê uma ação cinética, com uma nave sendo enviada para
se chocar com o asteroide e assim dar um pequeno empurrão nele, tirando-o da
rota de colisão com a Terra. Outras envolvem os chamados “rebocadores
gravitacionais”, naves colocadas em órbita dos asteroides que aos poucos alteram
sua trajetória, e as velas espaciais, que usariam a força do vento solar com a
mesma finalidade. E também há ideias menos ortodoxas, como a de pintar o
asteroide de branco e aumentar sua reflexividade, aumentando em consequência a
força exercida sobre ele pela luz solar e, mais uma vez, mudando sua
rota.
Seria esta a
previsão correta para o fim do mundo?

Nenhum comentário:
Postar um comentário